segunda-feira, 25 de novembro de 2013

- Magi...!!

Escuridão

Batida

Cacos de vidro

Sangue

Dor.

Em menos de um minuto sinto o braço de Léo me puxar com força. Antes de gesticular qualquer coisa, meu corpo é jogado para fora do carro. O estilhaço do vidro quebrando ao entrar em contato com o meu ombro me deixa surda por um momento. As minhas costas, os meus braços e o meu rosto agora ralados, ardem e me fazem desabar. Tudo acontece em uma fração de segundo.
Quando recobro a minha consciência, tento me levantar, mas caio. Minhas pernas não sustentam o meu corpo. A fumaça - do que deduzo rapidamente ser um jipe do outro lado da pista -, está pairando sobre os meus olhos. É difícil mantê-los abertos. É difícil me mover. Tento raciocinar melhor, e ao olhar para frente, acho que vejo um corpo sobre o chão e uma menininha pequena com um urso na mão. Ela chora pedindo por sua mãe e seu pai. Tento me aproximar, me ater aos cuidados que ela precisa, mas minha atenção é desviada ao ouvir o latido de Anny ao lado do nosso carro. Me pergunto se o que estou enxergando é exatamente o que os meus olhos querem ver. Deles caem lágrimas. Isso não poder ser real... Acho que vejo o vulto de Léo. Ele parece estar preso ao sinto de segurança e não entendo como fui jogada com tanta violência para fora do carro. Parece que posso sentir a sua respiração abalada e toda a sua dor. Acho que ele está gritando, chorando, não sei... Minha cabeça dói. Eu preciso de ajuda.  Essas imagens e essa realidade cinzenta invadem com força avassaladora a minha mente e eu desmaio.
Ճ

- Léo? Léo!!!!! – grito ao girar o meu pescoço para o lado na tentativa de encontrá-lo. Porém, ele não está aqui... Em poucos segundos, o meu corpo é acolhido pela dor.
Mamãe e papai parecem estar em pé ao meu lado. Estou zonza.
Léo... Você está bem?
Você está vivo?
Léo...
- Cadê o Léo? Preciso ver ele!
Mamãe para ao meu lado e encosta sua mão quente e macia em meu cabelo. Me fita por poucos segundos e com um sorriso triste e afetado pelo meu estado, me diz:
- Magie, Léo está em outro quarto. Você precisa melhorar.
- É, minha filha... – continua papai com lágrimas presas em seus olhos.
- Você sofreu uma parada cardíaca durante sua vinda para cá – enfatiza ao segurar a minha mão.
Uma dor profunda domina a minha cabeça. Ela está com um inchaço. Os arranhões em meu rosto iniciam uma sessão de tortura ao arderem. Insisto, mas meus pais me detém.
- Magie, eu sei que você vai chorar, vai sentir falta dele, mas eu preciso que você melhore! – ordena papai com um tom autoritário na voz.

Por um momento o odeio. O odeio pelo fato de ele ter razão. A partir dessa proibição em ver Léo, me agarro às minhas lembranças...

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