- Magi...!!
Escuridão
Batida
Cacos de vidro
Sangue
Dor.
Em menos de um
minuto sinto o braço de Léo me puxar com força. Antes de gesticular qualquer
coisa, meu corpo é jogado para fora do carro. O estilhaço do vidro quebrando ao
entrar em contato com o meu ombro me deixa surda por um momento. As minhas
costas, os meus braços e o meu rosto agora ralados, ardem e me fazem desabar.
Tudo acontece em uma fração de segundo.
Quando recobro a minha
consciência, tento me levantar, mas caio. Minhas pernas não sustentam o meu corpo.
A fumaça - do que deduzo rapidamente ser um jipe do outro lado da pista -, está
pairando sobre os meus olhos. É difícil mantê-los abertos. É difícil me mover.
Tento raciocinar melhor, e ao olhar para frente, acho que vejo um corpo sobre o
chão e uma menininha pequena com um urso na mão. Ela chora pedindo por sua mãe
e seu pai. Tento me aproximar, me ater aos cuidados que ela precisa, mas minha
atenção é desviada ao ouvir o latido de Anny ao lado do nosso carro. Me
pergunto se o que estou enxergando é exatamente o que os meus olhos querem ver.
Deles caem lágrimas. Isso não poder ser real... Acho que vejo o vulto de Léo.
Ele parece estar preso ao sinto de segurança e não entendo como fui jogada com
tanta violência para fora do carro. Parece que posso sentir a sua respiração
abalada e toda a sua dor. Acho que ele está gritando, chorando, não sei...
Minha cabeça dói. Eu preciso de ajuda. Essas imagens e essa realidade cinzenta
invadem com força avassaladora a minha mente e eu desmaio.
Ճ
- Léo? Léo!!!!! – grito ao girar o meu pescoço para o lado
na tentativa de encontrá-lo. Porém, ele não está aqui... Em poucos segundos, o meu corpo é acolhido pela
dor.
Mamãe e papai parecem estar em pé ao meu lado. Estou zonza.
Léo... Você está bem?
Você está vivo?
Léo...
- Cadê o Léo? Preciso ver ele!
Mamãe para ao meu lado e encosta sua
mão quente e macia em meu cabelo. Me fita por poucos segundos e com um sorriso
triste e afetado pelo meu estado, me diz:
- Magie, Léo está em outro quarto. Você precisa melhorar.
- É, minha filha... – continua papai com lágrimas presas em
seus olhos.
- Você sofreu uma parada cardíaca durante sua vinda para cá
– enfatiza ao segurar a minha mão.
Uma dor profunda domina a minha
cabeça. Ela está com um inchaço. Os arranhões em meu rosto iniciam uma sessão
de tortura ao arderem. Insisto, mas meus pais me detém.
- Magie, eu sei que você vai chorar, vai sentir falta dele,
mas eu preciso que você melhore! – ordena papai com um tom autoritário na voz.
Por um momento o odeio. O odeio
pelo fato de ele ter razão. A partir dessa proibição em ver Léo, me agarro às
minhas lembranças...
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