07 de dezembro de 1996, Arizona, EUA
Desde aquela noite em que Léo me mandou aquela carta
insinuando que eu queria torturar Ellie, brigamos centenas de vezes, mas agora
ele está comendo uma pizza comigo. A gente se beijou na última vez que ele
esteve aqui. É uma ironia essa vida. Ele até brinca com Ellie agora. Por algum
motivo maior Léo tem medo de encostar em meu corpo abaixo da minha cintura.
Quero dizer... duvido que ele seja virgem. Ele é sexy demais para isso. Preciso
transar com ele. Nossas almas precisam se conectar.
Eu não podia deixar Ellie aqui e
correr o risco de deixá-la atrapalhar essa conexão, então a levei a um pet shop aqui perto, aproveitando para
fazer um banho e tosa. Dei um dinheirinho a mais para a dona de lá, e ela me
garantiu que vai cuidar de Ellie até amanhã.
Léo está vestindo uma camisa
laranja com o desenho de uma bola de basquete estampado na frente, e claro, um
calção jeans azul claro. Estranho é o fato de essa bola ser roxa com tons de
preto. Bolas de basquete não são laranjas? Ou eu estou tão por fora assim?
Ele me observa e logo esclarece
que bolas roxas são comuns, só que menos conhecidas. Tenho um rápido
mal-estar.
-
Você está bem, Magie?
- Desculpa... É que falar de bolas me deixa confusa... –
respondo inocentemente.
Ele sorri de modo evasivo.
- É...
- Rã rãm... Então... Eu sou jogador de basquete. Amo a
adrenalina dos jogos – complementa ele.
Após comer dois pedaços da pizza,
paro. Léo continua comendo. Ele sorri de vez enquando, e prefiro acreditar que a
pizza serve como o combustível dele para atuar na cama – caso o contrário,
terei um gasto financeiro horrível se continuarmos juntos. Ele diz que quer
assistir televisão comigo. Está tímido, mas eu também. Acho que é pelo fato de
estar em minha casa. Da próxima vez, prometo que vamos reverter o local do nosso
encontro.
Um filme de comédia romântica
está passando na TV. Concentrada, sorrio. Ele me envolve com os braços. E me
beija. Um beijo diferente dessa vez. Melhor. Com pegada. O meu coração dispara:
a conexão entre nós dois irá começar.
Lembro de Ellie. Droga... Por que
eu lembrei dela? Me espanto.Volto a encarar Léo que tira o seu calção e a sua
camisa. Ele vai me despindo aos poucos, e cada vez mais o meu tesão aumenta.
Ele me beija pelo pescoço e agarra as minhas coxas com os seus braços fortes.
Solto um gemido que soa como: demorou,
mas está valendo a pena.
Quando estamos no ápice do
momento, algo estranho acontece: aquela felicidade e emoção de Léo se perdem em
meio a nossa conexão de almas. E somente nesse instante ouço gemidos vindos da
televisão que me dão nos nervos: está passando um filme erótico. Duas mulheres
e um homem que aparenta ter mais de cinquenta anos praticam Ménage à trois. Isso, de alguma forma,
faz Léo broxar. Ele está com o rosto corado e o seu pênis está deprimido
claramente.
Não posso acreditar que não cheguei lá. E muito
menos que ele não chegou lá.
