sexta-feira, 29 de novembro de 2013

07 de dezembro de 1996, Arizona, EUA

Desde aquela noite em que Léo me mandou aquela carta insinuando que eu queria torturar Ellie, brigamos centenas de vezes, mas agora ele está comendo uma pizza comigo. A gente se beijou na última vez que ele esteve aqui. É uma ironia essa vida. Ele até brinca com Ellie agora. Por algum motivo maior Léo tem medo de encostar em meu corpo abaixo da minha cintura. Quero dizer... duvido que ele seja virgem. Ele é sexy demais para isso. Preciso transar com ele. Nossas almas precisam se conectar.
Eu não podia deixar Ellie aqui e correr o risco de deixá-la atrapalhar essa conexão, então a levei a um pet shop aqui perto, aproveitando para fazer um banho e tosa. Dei um dinheirinho a mais para a dona de lá, e ela me garantiu que vai cuidar de Ellie até amanhã.
Léo está vestindo uma camisa laranja com o desenho de uma bola de basquete estampado na frente, e claro, um calção jeans azul claro. Estranho é o fato de essa bola ser roxa com tons de preto. Bolas de basquete não são laranjas? Ou eu estou tão por fora assim?
Ele me observa e logo esclarece que bolas roxas são comuns, só que menos conhecidas. Tenho um rápido mal-estar.                                                                                                                                          
- Você está bem, Magie?
- Desculpa... É que falar de bolas me deixa confusa... – respondo inocentemente.
 Ele sorri de modo evasivo.
- É...
- Rã rãm... Então... Eu sou jogador de basquete. Amo a adrenalina dos jogos – complementa ele.
Após comer dois pedaços da pizza, paro. Léo continua comendo. Ele sorri de vez enquando, e prefiro acreditar que a pizza serve como o combustível dele para atuar na cama – caso o contrário, terei um gasto financeiro horrível se continuarmos juntos. Ele diz que quer assistir televisão comigo. Está tímido, mas eu também. Acho que é pelo fato de estar em minha casa. Da próxima vez, prometo que vamos reverter o local do nosso encontro.
Um filme de comédia romântica está passando na TV. Concentrada, sorrio. Ele me envolve com os braços. E me beija. Um beijo diferente dessa vez. Melhor. Com pegada. O meu coração dispara: a conexão entre nós dois irá começar.
Lembro de Ellie. Droga... Por que eu lembrei dela? Me espanto.Volto a encarar Léo que tira o seu calção e a sua camisa. Ele vai me despindo aos poucos, e cada vez mais o meu tesão aumenta. Ele me beija pelo pescoço e agarra as minhas coxas com os seus braços fortes. Solto um gemido que soa como: demorou, mas está valendo a pena.

Quando estamos no ápice do momento, algo estranho acontece: aquela felicidade e emoção de Léo se perdem em meio a nossa conexão de almas. E somente nesse instante ouço gemidos vindos da televisão que me dão nos nervos: está passando um filme erótico. Duas mulheres e um homem que aparenta ter mais de cinquenta anos praticam Ménage à trois. Isso, de alguma forma, faz Léo broxar. Ele está com o rosto corado e o seu pênis está deprimido claramente.
Não posso acreditar que não cheguei lá. E muito menos que ele não chegou lá.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

03 de novembro de 1996, Arizona, EUA

- Vem cá, minha coisa fofa! – digo venerando Ellie. Estou apaixonada por essa cadela! Ela é uma Norfolk Terrier. A cor de seus pêlos é uma mistura de castanho e preto.  Saio da agropecuária com ela nas mãos. Bob – o meu falecido pastor-alemão -, se foi há duas semanas. Não aguentei a solidão.
Ponho Ellie no banco de trás do meu carro e dou início a minha passagem pela pista mais entediante e movimentada do estado de Arizona. Estive em um bar para tomar um litro de água há uma hora e a televisão me informou que fazia 35° com a sensação térmica de 40°. Minha boca está seca e o meu corpo todo molhado de suor. As montanhas rochosas e as plantas exóticas e naturais ao redor enchem os meus olhos de beleza.
 Após trinta minutos dirigindo, um cheiro denuncia algo que fede vindo do banco de trás. Ao me virar, vejo que Ellie fez cocô sobre o banco e parece estar cansada e desanimada devido ao calor que sugou todas as energias que restavam em seu corpo.
- Não, não, não, Ellie... Por que você não aguentou? – pergunto a encarando -, mas vem cá, vamos limpar essa bagunça – digo tentando agarrá-la sem tocar em seu bumbum.
Ela abre os olhinhos parecendo um pouco constrangida e arrependida.
- Mamãe vai te ajudar – conforto-a.
                Ao estacionar o carro na garagem da minha casa, Ellie me lambe. Tive que carregá-la ao meu lado no carro. Fiquei com dó, além do quê, ela é um amor. Passo pelo jardim – todas flores estão lindas. É primavera. Estamos falando, especificamente, da minha estação preferida. Normalmente, sou uma mulher neurótica, mas nas doces primaveras da minha vida, costumo ser um pouquinho menos. A gente não é perfeito, né?  Então... arrumo um pote com água bem gelada para Ellie e deixo-a em frente à sua casinha azul.
Minha intuição me dizia que eu encontraria um cachorro na agropecuária e não uma cadela...
Ela não demora para começar a correr pelo quintal. Ao redor do meu jardim há uma cerca alta o suficiente para Ellie não passar e devastar como um furacão as minhas rosas e os meu lírios azuis e amarelos.  Lembro que ela precisa de um banho e eu também. Encho um balde com água e com cuidado ponho ela dentro. Ellie parece estar me agradecendo. No entanto, essa troca de carinho dura menos de um minuto. Minha cachorra, de forma apressada, sai correndo pelo pátio. Ela encontra um buraco no muro de madeira que separa a minha casa da casa do meu vizinho e desaparece.
Saio correndo desesperada atrás de Ellie. O muro tem apenas um metro de comprimento. E então, do nada, os meus olhos me obrigam a ver uma cena inédita e comprometedora: minha cadela está destruindo o jardim do vizinho. Diz para mim que você não está fazendo isso...– tento me consolar ao bufar de cansaço e decepção. Estou encrencada.
Sinto o meu rosto se avermelhar ao ver a cara do homem que, assustado, não crê no que ela está fazendo. Quase perco a noção da situação quando analiso-o – ele é uma coisa de outro mundo. Caminho nervosa, e o meu corpo insiste em me deixar mais suada do que eu estava há pouco, agora pelo fato de eu estar constrangida como nunca estive.
- Desculpa, Ellie quer conhecer a vizinha – me explico voltando os olhos para ela, porque até esse momento, estavam fixados nele. Ele tem jeito de ser tão meigo...
- Pelo amor de Deus, tira essa louca daqui! Ela parece estar com o diabo no corpo! – grita ele desesperado.
Ao ouvir esse sermão, me sinto chocada em relação à minha primeira impressão totalmente errada sobre ele. Esse desconhecido está bravo. Só falta vir para cima de mim, entretanto, ele ainda continua uma coisa de outro mundo. Por que eu falei o que eu acabei de falar? Ellie não precisa devastar com o jardim dos outros para conhecer a vizinhança!
- Ellie, pare agora com essa bagunça! – mando determinada. Ela, no entanto, não me obedece porque sabe que não consigo ficar brava com algo tão fofo. Decido então correr atrás dela, parecendo a tal “louca” que esse ogro gritou há pouco.  
- Essa “Ellie” tem problema de audição? – pergunta ele enfurecido.
Pego-a nos braços e a levo de volta ao meu pátio, respondendo com um tom grosseiro como se eu tivesse razão:
- Ela é só uma cachorrinha indefesa! Acho que é melhor você mandar consertar esse buraco no seu muro!
Ainda perplexa com a ferocidade de Ellie, lavo-a mais uma vez. Ela estava suja de terra. Sorrio quando vejo sua cabeça cheia de pedaços de flores. Ela acabou com o jardim daquele ogro. É isso aí, Ellie!
Após isso, a noite se instala aqui na cidade definitivamente. Estou jantando quando ouço a campainha chamar. Cansada do meu dia, me arrasto lentamente até a porta e digo sem vontade alguma: Já vou... Ao abri-la, encontro um papel e uma flor – ou melhor, o pedaço de uma flor vermelha sobre o chão.

De: Brigão
Para: Dona Mal-Humorada

Espero que a sua cadela louca não tenha mastigado essa folha. Meu nome é Léo.                                                                                                   Ps: Dê comida a Ellie porque do jeito que ela estava hoje no meu quintal, mais parece que você quer torturá-la. E trate de saber que ela me deu um bom prejuízo.


Diante desse insulto, me movo com muito ódio até o pátio desse “Léo”.  O encontro replantando novas mudas de plantas em seu quintal, e apesar de reconhecer que ele realmente fez algo amável me pedindo desculpa por uma confusão que na verdade começou por descuido meu, não me dou por vencida. Brigamos mais uma vez. E querendo ou não, ele continua uma coisa de outro mundo.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

- Magi...!!

Escuridão

Batida

Cacos de vidro

Sangue

Dor.

Em menos de um minuto sinto o braço de Léo me puxar com força. Antes de gesticular qualquer coisa, meu corpo é jogado para fora do carro. O estilhaço do vidro quebrando ao entrar em contato com o meu ombro me deixa surda por um momento. As minhas costas, os meus braços e o meu rosto agora ralados, ardem e me fazem desabar. Tudo acontece em uma fração de segundo.
Quando recobro a minha consciência, tento me levantar, mas caio. Minhas pernas não sustentam o meu corpo. A fumaça - do que deduzo rapidamente ser um jipe do outro lado da pista -, está pairando sobre os meus olhos. É difícil mantê-los abertos. É difícil me mover. Tento raciocinar melhor, e ao olhar para frente, acho que vejo um corpo sobre o chão e uma menininha pequena com um urso na mão. Ela chora pedindo por sua mãe e seu pai. Tento me aproximar, me ater aos cuidados que ela precisa, mas minha atenção é desviada ao ouvir o latido de Anny ao lado do nosso carro. Me pergunto se o que estou enxergando é exatamente o que os meus olhos querem ver. Deles caem lágrimas. Isso não poder ser real... Acho que vejo o vulto de Léo. Ele parece estar preso ao sinto de segurança e não entendo como fui jogada com tanta violência para fora do carro. Parece que posso sentir a sua respiração abalada e toda a sua dor. Acho que ele está gritando, chorando, não sei... Minha cabeça dói. Eu preciso de ajuda.  Essas imagens e essa realidade cinzenta invadem com força avassaladora a minha mente e eu desmaio.
Ճ

- Léo? Léo!!!!! – grito ao girar o meu pescoço para o lado na tentativa de encontrá-lo. Porém, ele não está aqui... Em poucos segundos, o meu corpo é acolhido pela dor.
Mamãe e papai parecem estar em pé ao meu lado. Estou zonza.
Léo... Você está bem?
Você está vivo?
Léo...
- Cadê o Léo? Preciso ver ele!
Mamãe para ao meu lado e encosta sua mão quente e macia em meu cabelo. Me fita por poucos segundos e com um sorriso triste e afetado pelo meu estado, me diz:
- Magie, Léo está em outro quarto. Você precisa melhorar.
- É, minha filha... – continua papai com lágrimas presas em seus olhos.
- Você sofreu uma parada cardíaca durante sua vinda para cá – enfatiza ao segurar a minha mão.
Uma dor profunda domina a minha cabeça. Ela está com um inchaço. Os arranhões em meu rosto iniciam uma sessão de tortura ao arderem. Insisto, mas meus pais me detém.
- Magie, eu sei que você vai chorar, vai sentir falta dele, mas eu preciso que você melhore! – ordena papai com um tom autoritário na voz.

Por um momento o odeio. O odeio pelo fato de ele ter razão. A partir dessa proibição em ver Léo, me agarro às minhas lembranças...

sábado, 23 de novembro de 2013

- Ele se comportou hoje – diz Léo enquanto dirige.
- Amor, tenho uma surpresa para você – revelo apertando a sua coxa.
- Mais um cachorro? – pergunta em tom de brincadeira.
- Oops – tapo a minha boca.
- Magie, é brincadeira, não é?... – indaga incrédulo.
- Você ama o Anny, admite... – observo em voz baixa com brilho nos olhos.
- Amo, mais amo a nossa privacidade também.
- Amor, tenta me entender... Anny incomoda às vezes. Você sabe que eu o amo, mas você é importante para mim – ressalta de modo doce. Sinto sinceridade em sua resposta.
Léo me deixa sem palavras. Ele me faz arrepiar cada parte do meu corpo. Ele tem olhos e cabelos castanhos, lembrando Ryan Reynolds. O jeito que ele me convence, a boca dele, o olhar dele. É coisa de outro mundo.
- Ok, ok, amor... Acho que vou doar Mika para alguém... – concluo um pouco deprimida.
- Já tem até nome, né? – reage apertando o meu nariz.
Passando pela sétima avenida, o céu vai tornando-se mais cinzento, não transparecendo cinco horas de tarde. E tocando Say you, say me de Lionel Richie, dobramos uma das muitas esquinas da cidade. Vivo em um condomínio com Léo. Quanto mais nos aproximamos da nossa casa, mais esfria. Léo continua firme ao volante.  Me viro para trás para ver Anny.
Estou com uma cara de dó por estar com Mika na cabeça. Se eu pudesse, eu te buscava, cadelinha – me consolo.
- Parece que você está com sono, amor.
- Estou mesmo. O dia foi agitado. Bastante, na verdade – respondo.
-Pelo menos você pode dormir sem ter pesadelos – diz ele abruptamente.
- Acha que eu vou dormir e te deixar falando sozinho?
- Não deveria.
- Mas eu não vou, seu bobo.
- É o mínimo que pode fazer – responde ele um pouco sério –, afinal, você não vem tendo pesadelos como eu ultimamente.
                Ele lança essas palavras ao ar e não diz mais nada. Anny estranhamente começa a rosnar. Por algum motivo, não gosto do que ele acabou de dizer.
- Por que você está dizendo isso, amor? – pergunto inocentemente.
                Ele não responde. Gira o rosto para mim e me encara. Um brilho evasivo está invadindo os seus olhos. Anny começa a latir.
- É difícil vencer pesadelos. E é muito pior quando ninguém te ajuda. Fiquei espantado por descobrir a verdade quando Colbey me encontrou de manhã. Engraçado que eu nunca poderia suspeitar de você – diz ele tentando dar um sorriso brincalhão.
O meu coração se aperta. Anny late cada vez mais alto. Está com medo de alguma coisa. 
- Eu não to gostando do que você está dizendo – respondo da defensiva.
Léo normalmente brinca bastante com as coisas.
- Quer que eu diga o quê? Que estou com dó de você? – pergunta de modo estúpido.
                O meu coração se aperta de repente. Ofendida, revido:
- Parece que nem você está para piadas hoje. Eu vou dormir um pouco. Depois conversamos.
Ele lança uma risada doentia que me assusta. Anny o estranha mais uma vez. Ele rosna com ferocidade, como se Léo tivesse outra pessoa em seu corpo.
- Calma, meu amor. Não precisa latir e nem rosnar. Tudo bem?...
                Realmente fico desconfiada com a atitude do meu cão. Ele nunca fez isso. O acaricio na esperança de tranquilizá-lo.
- Para com esse draminha todo, Magie. Agora eu sei que você é como Colbey. É uma mentira.

                Não encontro palavras para uma resposta. Ferida com o que ele acabou de dizer, viro para trás nervosa. Na esperança de não encará-lo, mando Anny parar de latir. Porém, aquilo não mudaria o que estava prestes a acontecer.

Capítulo 1: Pesadelos



Júnior’s Cafeteria, 02 de julho de 1999, São Francisco, Califórnia

- Magie, filha, está muito frio. Você tem um casaco? Eu posso passar aí na confeitaria e te levar um se você não tiver - pergunta minha mãe com um tom carinhoso em sua voz.
- Eu trouxe um casaco, mãe. E também, estou bebendo bastante café para me manter acordada... – tento confortá-la.
- Magie, Magie!  – ouço uma voz que vem do além. Pelo tom deve ser o meu pai.
- Tenho uma surpresa para você. E a dica é: veio da China e tem quatro patas – diz ele animado.
- Uau, pai! Você me acha tão solitária assim? Mais um cachorro? – sou pega de surpresa.
- Não, não... Agora é uma cadela, Magie. Posso devolvê-la se não quiser... Animais também têm sentimentos... – dramatiza tentando me convencer.
- Papai, você sabe que eu não resisto! – me dou por vencida.
- É da raça Akita! Já tem nome, e o endereço será a sua casa, não é? – pergunta realçando a minha decisão de tornar a cadela minha. Fico reflexiva por um momento. Anny é o bastante para me dar companhia, além do quê, ele já faz muita bagunça sozinho. Espero que Léo me ame a tal ponto.
- Ok, ok, pai. Então você tem um nome para ela?...– pergunto receosa. Papai sabe que eu prefiro escolher os nomes para os meus cachorros.
- É Mika, filha! – alerta a minha mãe.
- A Mika é uma mistura de Ellie, Bob e Hewie. Você precisa ver! – diz ele praticamente me obrigando, relembrando três dos sete cachorros que já tive.
- Pai, vou buscá-la mais tarde. Preciso me arrumar para ir para casa. Amo vocês – declaro amorosa. Tenho adoração por cães.
Entro na cafeteria – esse é o meu local de trabalho. Durante um ano trabalhei no caixa, porém, comuniquei ao Chris – o dono do estabelecimento -, que precisava acabar com aquela rotina, me tornando garçonete definitivamente. O “Júnior” que dá nome à cafeteria é o nome do filho de cinco anos dele. Ele é um amor.

Em menos de vinte minutos o meu expediente acaba. Deixo o meu cabelo respirar ao soltá-lo sobre os meus ombros. Me dirijo ao vestiário e retiro o meu uniforme, o deixando dentro do meu armário depois de dobrá-lo. Ao passar pelo corredor, me despeço dos meus colegas. Ao sair para a rua, o vento nada agradável bate contra o meu corpo, me fazendo tremer. Sem dificuldade, encontro o carro de Léo – ele não precisa buzinar já que ver Anny tentando chegar ao banco da frente já basta. Sorrio. Eles são os donos da minha vida.
Anny tenta a todo custo pular para fora do carro ao me ver chegando. Eu abro os meus braços para abraçá-lo. Léo me censura com um olhar bravo e sexy, me fazendo lembrar que o nosso cachorro já destruiu um pneu do carro e o arranhou centenas de vezes. Faço beicinho para ele e o beijo ao sentar ao seu lado. Anny fica constrangido por não ter recebido o meu abraço, e logo começa a me lamber. Ciumento