sábado, 23 de novembro de 2013

- Ele se comportou hoje – diz Léo enquanto dirige.
- Amor, tenho uma surpresa para você – revelo apertando a sua coxa.
- Mais um cachorro? – pergunta em tom de brincadeira.
- Oops – tapo a minha boca.
- Magie, é brincadeira, não é?... – indaga incrédulo.
- Você ama o Anny, admite... – observo em voz baixa com brilho nos olhos.
- Amo, mais amo a nossa privacidade também.
- Amor, tenta me entender... Anny incomoda às vezes. Você sabe que eu o amo, mas você é importante para mim – ressalta de modo doce. Sinto sinceridade em sua resposta.
Léo me deixa sem palavras. Ele me faz arrepiar cada parte do meu corpo. Ele tem olhos e cabelos castanhos, lembrando Ryan Reynolds. O jeito que ele me convence, a boca dele, o olhar dele. É coisa de outro mundo.
- Ok, ok, amor... Acho que vou doar Mika para alguém... – concluo um pouco deprimida.
- Já tem até nome, né? – reage apertando o meu nariz.
Passando pela sétima avenida, o céu vai tornando-se mais cinzento, não transparecendo cinco horas de tarde. E tocando Say you, say me de Lionel Richie, dobramos uma das muitas esquinas da cidade. Vivo em um condomínio com Léo. Quanto mais nos aproximamos da nossa casa, mais esfria. Léo continua firme ao volante.  Me viro para trás para ver Anny.
Estou com uma cara de dó por estar com Mika na cabeça. Se eu pudesse, eu te buscava, cadelinha – me consolo.
- Parece que você está com sono, amor.
- Estou mesmo. O dia foi agitado. Bastante, na verdade – respondo.
-Pelo menos você pode dormir sem ter pesadelos – diz ele abruptamente.
- Acha que eu vou dormir e te deixar falando sozinho?
- Não deveria.
- Mas eu não vou, seu bobo.
- É o mínimo que pode fazer – responde ele um pouco sério –, afinal, você não vem tendo pesadelos como eu ultimamente.
                Ele lança essas palavras ao ar e não diz mais nada. Anny estranhamente começa a rosnar. Por algum motivo, não gosto do que ele acabou de dizer.
- Por que você está dizendo isso, amor? – pergunto inocentemente.
                Ele não responde. Gira o rosto para mim e me encara. Um brilho evasivo está invadindo os seus olhos. Anny começa a latir.
- É difícil vencer pesadelos. E é muito pior quando ninguém te ajuda. Fiquei espantado por descobrir a verdade quando Colbey me encontrou de manhã. Engraçado que eu nunca poderia suspeitar de você – diz ele tentando dar um sorriso brincalhão.
O meu coração se aperta. Anny late cada vez mais alto. Está com medo de alguma coisa. 
- Eu não to gostando do que você está dizendo – respondo da defensiva.
Léo normalmente brinca bastante com as coisas.
- Quer que eu diga o quê? Que estou com dó de você? – pergunta de modo estúpido.
                O meu coração se aperta de repente. Ofendida, revido:
- Parece que nem você está para piadas hoje. Eu vou dormir um pouco. Depois conversamos.
Ele lança uma risada doentia que me assusta. Anny o estranha mais uma vez. Ele rosna com ferocidade, como se Léo tivesse outra pessoa em seu corpo.
- Calma, meu amor. Não precisa latir e nem rosnar. Tudo bem?...
                Realmente fico desconfiada com a atitude do meu cão. Ele nunca fez isso. O acaricio na esperança de tranquilizá-lo.
- Para com esse draminha todo, Magie. Agora eu sei que você é como Colbey. É uma mentira.

                Não encontro palavras para uma resposta. Ferida com o que ele acabou de dizer, viro para trás nervosa. Na esperança de não encará-lo, mando Anny parar de latir. Porém, aquilo não mudaria o que estava prestes a acontecer.

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