sábado, 23 de novembro de 2013

Capítulo 1: Pesadelos



Júnior’s Cafeteria, 02 de julho de 1999, São Francisco, Califórnia

- Magie, filha, está muito frio. Você tem um casaco? Eu posso passar aí na confeitaria e te levar um se você não tiver - pergunta minha mãe com um tom carinhoso em sua voz.
- Eu trouxe um casaco, mãe. E também, estou bebendo bastante café para me manter acordada... – tento confortá-la.
- Magie, Magie!  – ouço uma voz que vem do além. Pelo tom deve ser o meu pai.
- Tenho uma surpresa para você. E a dica é: veio da China e tem quatro patas – diz ele animado.
- Uau, pai! Você me acha tão solitária assim? Mais um cachorro? – sou pega de surpresa.
- Não, não... Agora é uma cadela, Magie. Posso devolvê-la se não quiser... Animais também têm sentimentos... – dramatiza tentando me convencer.
- Papai, você sabe que eu não resisto! – me dou por vencida.
- É da raça Akita! Já tem nome, e o endereço será a sua casa, não é? – pergunta realçando a minha decisão de tornar a cadela minha. Fico reflexiva por um momento. Anny é o bastante para me dar companhia, além do quê, ele já faz muita bagunça sozinho. Espero que Léo me ame a tal ponto.
- Ok, ok, pai. Então você tem um nome para ela?...– pergunto receosa. Papai sabe que eu prefiro escolher os nomes para os meus cachorros.
- É Mika, filha! – alerta a minha mãe.
- A Mika é uma mistura de Ellie, Bob e Hewie. Você precisa ver! – diz ele praticamente me obrigando, relembrando três dos sete cachorros que já tive.
- Pai, vou buscá-la mais tarde. Preciso me arrumar para ir para casa. Amo vocês – declaro amorosa. Tenho adoração por cães.
Entro na cafeteria – esse é o meu local de trabalho. Durante um ano trabalhei no caixa, porém, comuniquei ao Chris – o dono do estabelecimento -, que precisava acabar com aquela rotina, me tornando garçonete definitivamente. O “Júnior” que dá nome à cafeteria é o nome do filho de cinco anos dele. Ele é um amor.

Em menos de vinte minutos o meu expediente acaba. Deixo o meu cabelo respirar ao soltá-lo sobre os meus ombros. Me dirijo ao vestiário e retiro o meu uniforme, o deixando dentro do meu armário depois de dobrá-lo. Ao passar pelo corredor, me despeço dos meus colegas. Ao sair para a rua, o vento nada agradável bate contra o meu corpo, me fazendo tremer. Sem dificuldade, encontro o carro de Léo – ele não precisa buzinar já que ver Anny tentando chegar ao banco da frente já basta. Sorrio. Eles são os donos da minha vida.
Anny tenta a todo custo pular para fora do carro ao me ver chegando. Eu abro os meus braços para abraçá-lo. Léo me censura com um olhar bravo e sexy, me fazendo lembrar que o nosso cachorro já destruiu um pneu do carro e o arranhou centenas de vezes. Faço beicinho para ele e o beijo ao sentar ao seu lado. Anny fica constrangido por não ter recebido o meu abraço, e logo começa a me lamber. Ciumento

2 comentários:

  1. por que nao tem o livro inteiro ? onde encontro?

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  2. E aí, Mayla!
    Por motivos pessoais, parei de escrever essas história.
    Obrigado por tê-la lido!

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