Acordo às 09:30 da manhã. É sábado e hoje trabalho somente à
tarde. De segunda a sexta-feira trabalho das 08:00 às 16:00 horas, e nos
sábados, um sim e outro não. Os raios do sol tocam o meu corpo. Essa é uma das
sensações mais hospitalares de Arizona.
Ao sair de casa, torno a me sentir
desconsolada ao não ver Léo. Um pensamento confortante me abraça: ele deve
estar no ginásio treinando com o seu time! Me animo. Antes de ir atrás dele, me
dirijo ao pet shop para buscar Ellie.
Estou sentindo falta dela, além do quê, ela vai me ajudar a acabar com a minha
ressaca emocional.
- Oi, meu amor! – abraço-a com carinho.
Ela está feliz, linda e cheirosa.
Está tentando me“abraçar” também. Posso ver que sentiu saudade. Por que eu te troquei por uma conexão de almas fracassada? Me desculpa. Perdoa a mamãe... – digo baixinho para a moça que está perto não
me ouvir.
- Obrigada, é... Amanda, né?
- De nada. O meu nome é Giovana – ela me corrige com um tom
simpático na voz.
Ela deve
estar me achando uma anta.
Ao ajeitar Ellie no banco do carro e me
ajeitar também, tento lembrar onde fica o ginásio que Léo treina. Ouvindo It’sheartache de BonnieTyler, reflito sobre
a minha necessidade de me desculpar com Léo. Vasculho a fundo a minha mente e
lembro que ele me dissera uma vez que treinava no ginásio da universidade aqui
da cidade. Dou sorte já que não fica muito longe. Me concentro e tento resgatar
das minhas memórias o nome do time de basquete dele. É, deixe-me ver... Bola
Jazz? Roxo Jazz? Bola dos Apagões? Ops! É Clube Jazz!
Da onde eu tirei “Bola dos Apagões”? Só pode ser a minha ressaca emocional
fazendo efeito... Sorrio. Não acho que basquete tem muito a ver com Jazz, mas
enfim.
Não demoro para encontrar a
universidade. É grande e tem muitas árvores e flores em sua entrada, além de um
letreiro esculpido em uma placa quadrada de granito que diz Universidade do
Estado de Arizona.
Tiro Ellie do carro e nós duas
caminhamos próximas ao campus. Ela parece uma madame. Ninguém está me vendo, e
eu não vejo ninguém. Espero que eu continue com essa sorte. Ellie para por um
momento me intrigando. Não, não, não faça cocô aqui, Ellie!
– digo. Mas ela faz a minha tensão passar ao tentar se coçar. Ufa. Encontro o
ginásio.
Antes de entrar, ouço o barulho
de bola quicando. Isso é um bom sinal. Ao entrar, examino o inacabável salão
cheio de bancos e me encontro triste e deprimida ao ver o time de Léo
treinando. Estou triste porque Léo não está. Antes de dar meia-volta, um homem
me assusta ao me dar um enérgico oi.
- Me chamo Morgan – diz ele.
- Oi, Morgan. O meu nome é Magie. Estou procurando por Léo –
digo tentando esconder o meu rosto desconsolado.
- Léo, Léo... Ele não veio treinar hoje porque está
resolvendo um problema com o pai – me explica.
- O senhor Colbey está com o gás todo – enfatiza com um
sorriso brincando em seus lábios.
- O pai de Léo é um homem problemático? – pergunto cheia de
curiosidade.
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